domingo, outubro 23, 2011

Sutilmente.


(Imagem: Google).

Sutilmente

Antes que eu me desespere,
tome meus desejos,
engula minhas vontades, uma a uma,
e aprove a loucura
que eu trago presa nos olhos.
Deixe-me úmida,
fruta pronta para seus lábios.
Desnorteei meus rumos,
desoriente meus pensamentos.
Quero enlouquecer em sua cama,
perder-me em seus abraços.
Capte a delicadeza de minha fome de amar,
lace noites acesas aos nossos corpos candelabros,
alumia-me de dentro para fora com seu gozo.
Imperfeita que sou, ouça meu grito de prazer,
musical sentença aos seus ouvidos.
Devore meu querer, dome minha rebeldia,
devagar, recomece como bem sabe.
Olhe profundamente meu deslizar no colchão,
toma-me sua brincadeira preferida
e, assim, serei em suas mãos,
o dado que acaricia
antes de lançá-lo ao seu destino.
Sabendo manipular-me,
prazerosamente, terá imensa sorte:
sua mulher, de dama a puta,
serei por todo o sempre, ternamente.


Eliane Alcântara.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Impregnados.


(Imagem: Google).


Impregnados.

Presa da tua liberdade
sou-te claridade e sombra
no abstrato espaço
da planejada realidade
que nos absorve
carnais espetáculos.


E tu em mim
no todo que dou-te
és universo,
qualquer palavra de amor
a enfeitiçar-me os dias
_ poesia e malícias.

Eliane Alcântara.

sexta-feira, agosto 12, 2011

...


(Imagem: Achei por aí...).

domingo, julho 17, 2011

Volta ao antigo blog...

Tempo. 

Dos dias longos em que espero-te 
um ar de eternidade com gosto de possibilidades 
veste-me nova razão nos olhos, 
jardim de sussurros e vontades tantas.


...Continua aqui:




http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br/index.html

terça-feira, junho 21, 2011

Desmedidos amantes.

(Imagem: Google).


Desmedidos amantes.

Faceira brincadeira em meu corpo giram seus dedos
e criança sorridente peço que me beije a boca,
aperte delicadamente meus seios e morda-me os ombros.

Ouso comer dos seus olhos as vontades sacanas
e você em calma vem falar-me de assuntos tantos
e finge querer conversa antes do amor e sexo.

Em silêncio mostro ar de interesse e você começa,
até que coloca-me de quatro e já não fala, lambe.
Eu, promessa assanhada ofereço-me.

Sua língua e a minha em falação elegem membros,
festa sadia nos contornos sugados, ela e ele,
constante gozo no feitio da pele.

E molhados de doçura e paixão, selvageria e inocência,
adormecemos completos adultos,
na plena satisfação mulher e homem.

Eliane Alcântara.

terça-feira, junho 14, 2011

Desfolhar - Neide Mendes.



Desfolhar

Cai o sol no fim da tarde...
Primorosos prenúncios do luar
Saudosas carícias meu amor
No crepúsculo vem me tocar
Desfolhando as fantasias
Arrastadas na imensidão
Páginas viradas da vida
Num álbum de recordação
Retratos em folhas mortas
Desfolhadas com emoção
São fatos da nossa vida
Habitantes da imaginação
Desfolhar a lâmina morta
Não traz tanta ansiedade
Leva-me de volta no tempo
Traz de volta tua saudade


Neide Mendes

Vamos colher flores



Vamos colher flores
Os lírios nos campos
Das flores nos vales
Comemorar ardores

Vamos comer frutos
Das suculentas maças
As deliciosas uvas
Bebemorar amores

Vamos beber juntos
Nas salivas do amor
As seivas da alvorada

Vamos comer amores
Nos carnosos lábios
Os deleitáveis sabores

Neide Mendes

quarta-feira, maio 11, 2011

Ah... Se eu pudesse...



Se eu pudesse eu seria tudo o que te acalma
Seria a rocha impossível de se mexer
Mesmo com a chuva forte.
Seria o desvio das águas amedrontadoras
Que tanto te deixa preocupado.
Seria as asas que aquecem e te protegem,
Seria o conforto da oração,
Seria o acontecimento...
A gargalhada,
O choro de alegria,
A roupa limpinha,
As ondas do mar que batem nas pedras,
A corda bamba onde o menino trapezista brinca.
Seria o lápis,
O papel colorido,
O compasso,
As mãos do arquiteto que faz maravilhas com seus riscos.
Se eu pudesse... Eu seria a solução,
O descanso e o fim de toda a sua preocupação.
Amo este seu jeito de ser.

Ana da Cruz.


sábado, abril 30, 2011

domingo, abril 24, 2011

Delicatesse.

Delicatesse.

Dona de nenhum perigo construo 
abismos,
navego olhares, mordo palavras, engulo sonhos.
Eu provo da 
loucura folhas de outonos dourados
e mastigo sentenças não 
aprovadas.

Violento sorrisos sem medo de culpas,
se você não gosta não 
chegue perto, eu ardo.
Minha boca tem o antídoto para vontades,
a fina 
poeira de ventanias em olhos irritados.

Na pele uma fogueira enfeita de 
laço corpos,
e peco, peco tanto que já virei perdão
na dança única dos 
delírios
de prender entre as pernas o coração de quem amo.

Fica quem 
vence a fera, alcança a fêmea,
parte quem não chega, aquele que eu não 
espero.
Eu bebo do gozo o prazer de estar parte
do que me faz inteira no 
alheio respirar ofegante.

Escolho o que não sei, observo jogos,
se 
jogo não desperdiço cartas - lanço-me nua.
Mando andar quem não é 
encaixe,
costura exata ao meu querer doce, inocente e feroz.

Eu sou a 
oração do meu verso,
carne da minha letra, sexo da minha voz.
Rouca 
postura no caminho dos destemidos,
enraizados filhos do sol, filtros que 
fabrico.

E de tantas passagens que são passado
eu sou o agora todo o 
tempo e o ontem presente.
No ventre a evolução das estações raceiam,
na 
alma guerreia a menina e a sábia -- mundo.

Dona de mim e do espelho sou 
índia,
sou filha, sou mãe, sou pátria.
Se engasgo o seu passo fique 
longe,
sou indecifrável esfinge aos tolos: sou mulher!

Eliane Alcântara.

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terça-feira, abril 12, 2011

Não são eternas as conquistas.



Não são eternas as conquistas.



Falta em meus lábios o beijo primeiro,

aquele que eu apenas sonhei.

O doce gosto do amor eterno

que já nem sei se o alcancei ou alcançarei.


De andar em olhares perdidos

penso que me perdi nos carinhos efêmeros,

nas loucuras das promessas deslizantes

que nunca ousaram ser raízes.


Dopada de mim, de esperas tamanhas,

resta no caldo das horas segundos tristonhos,

e a que momentaneamente agora sonha

explode em alegria a verdadeira ilusão.


Há em meu peito o contraste das coisas,

a estrada dos loucos, dos observadores os passos.

É que sou persistente fogueira,

ardo onde não imaginam.


Falta-me algo, estar completa seria o fim.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, março 30, 2011

...


(Foto: Google).

...


Enxergo-te nessas canções de saudade onde tudo que gira borboleteia as asas do meu único sonho: ter-te (sempre).

E as coisas que eu não sei brincam de roda diante dos meus olhos a propagar-te amor silente e vivo em tudo o que em mim cabe.

Espaço de mil outras canções meu peito consagra-te dono e rei das minhas fantasias, reais dimensões dos meus passos em teu corpo, sol dos meus desejos.

E essa que sou em planos, efeitos e tudo o mais reflete mar, céu e terra. Vida da vida que nasce, tua.


Eliane Alcântara.

domingo, março 27, 2011

Eternidade...

(Foto: 



Eternidade é o que criamos.


Entre as bijouterias soltas em meu silêncio admiro as pedras de vidro e multicolores.
Gosto do brilho das coisas comuns.
São elas que adquirem valores inigualáveis, pois passam da simplicidade a preciosidades.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, março 14, 2011

Anunciação - Eurico de Carvalho.

Latest tracks by Eurico de Carvalho

Anunciação por Eurico de Carvalho.


Nem sei como dizer-te a alegria com que espero
a palavra mais lúcida, secreta e semovente.
Dela, sabe-lo, se alimenta em pleno espaço
a incerta rotação dos amantes e a certeza
de ser seu o repouso. Seja ela a rosa de cristal
que amanhece em tua boca adolescente. E, crê,
por entre o orvalho - hálito da manhã -,
nunca será  nosso o esquecimento do Sol.

Poema publicado em Dezembro de 2002
no jornal "O Tecto" de Vila do Conde
(Ano XIV: N º 39).
Cf. página 2.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Seja autêntico (a).



(Imagem: Google).


Seja autêntico (a).


Não pedi para ser quem sou,

não pedi para ser suficiente,

pouca importa os que não gostam,

antes sou eu com minhas alegrias.


Os que invejam-me não lutam,

olham abatidos o que sonham

na carne e espírito que a mim cabe.


Deles não rio nem nada digo,

não vale a pena olhar a insignificância.

Dou a volta por cima sem remorsos.


Estrelas brilham a céu aberto,

uns admiram-nas, outros remoem sua magnitude.

Eu as colho e as guardo no coração,

aprenda a diferença e seja feliz.


Há espaço no mundo também para você.

Divirta-se – longe de mim!


Eliane Alcântara.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Isto é... amor!



Isto é... amor!



Tortura-me pensar em ti.

Tortura maior é pensar em esquecer-te.

Corrobora o ar estas coisas todas

que nem fizemos e são verídicas.



De mim sei os encantos guardados,

as seduções a que condenaste-me

sem chance de hábeas-córpus

ou livre viagem pelas esculturas carnais do tempo.



Prisioneira - sempre por gosto - das tuas manias

pareço louca em meu estado lúdico,

e tu nem sabes se o sou

ou encaderno-me da tua face para sorrir.



Ando de bar em lar,

aqui, acolá, talvez mais ali.

Em algum lugar tu ocultaste tuas verdades

e revelas-me adeus ou um dia apenas com cores.



São migalhas, eu sei, aceito-as.

Amar tem da alegria o peso da dor,

da realização a eternidade dos olhos.

Tortura-me a ausência, mas que culpa tenho

se em ti minha alma floresce?



Esquecer-te nem pensar,

encontrar-te já se fez há tanto.

Se tu não vais voltar eu lamento,

os dias não maldigo, tudo tem uma razão,

e eu, eu tenho as sementes de quem tu foste.



“Is this love”.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Sem saída.

(Imagem: Google).


Sem saída.


São momentos perdidos os que me cabem

na travessia contínua em que inflamo-me.

E dos rostos que admiro sobressai o que não vi,

insistente imagem a morder-me pensamentos.


Calo o rio de alegrias, é impossível mantê-lo,

diáfana crença em tudo que foi azul, límpida esperança.

Fresta de imaginação perfura a alma,

outro retalho de impossibilidades – lembranças.


Sobre meu peito desfia-se o colar das horas

e não tenho sequer o segundo parido no passado.

Segundo sentido, desbotado e sufocado

pelas coisas sem importância onde algo puro foi maior.


Um tom de noite fatigada anuncia o vazio,

recrio-me as tantas e a autêntica não sei escolher.

Estou perdida, amor. Perdida com meus fantasmas e dores

no pântano do nada em que cri o sonho realidade.


Casa-me bem a morte dos sentimentos.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Comienzo Y Final de Una Verde Mañana


Comienzo Y Final de Una Verde Mañana

Composição: Pablo Milanés



Déjame despertarte con un beso

En la verde mañana que te espera

Déjame celebrar la primavera

En el hermoso largo de tu cuerpo.



Déjame recorrer ese universo

Que conozco sin limites y fronteras

Déjame descansar sobre tu pecho

Que calienta mi piel como una hoguera.



Déjame repasar tus accidentes

Detenerme a palpar cada medida

Humedecer tus ojos y tus fuentes

Y penetrar al fondo de tu vida.



Déjame demostrar que diez noviembres

Purifican el alma y el deseo

Que al abrazarte aún mi cuerpo tiemble

Y relajado en paz me duerma luego.



Déjame al despertar tener la dicha

De hablar y compartir nuestros anhelos

Y en la mañana verde que termina

Volver a repetir que te quiero.

domingo, dezembro 26, 2010

Em profundidade.

(Quadro abstrato de Fernando Antônio - Imensidão azul
São Paulo - SP).

***

Em profundidade.


Embalam meus olhos o amor que nunca tive

e lágrimas que poucos enxergam embarcam

na direção de algo que talvez amor,

eu venha a alcançar.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Por agora...

(Imagem Google).

Por agora...


Preciso imediatamente de um silêncio louco,

de muito e pouco do seu jeito,

boca gulosa, febre contínua...


[Em seu peito minhas loucuras, céu aberto],


Seus dedos ligeiros segredos,

gigantes mansos e delicados a fechar-me

nos sonhos eróticos/ternos de nós dois...


[Meu fogo de Eva em suas pernas, mares unidos],


Gemido profundo, do fundo,

instante em que me faz sorrir e eterniza

o cuidado com o que há de líquido em nós...


[Vadia anoiteço em seus olhos, estrelas de sempre],


E cada suspiro noturno, comboio de emoções,

eu bebo e saúdo a necessidade de consumi-lo paraíso,

medida bem-vinda ao meu desejo...


[Tara, paixão, tesão...]


Eliane Alcântara.