terça-feira, junho 14, 2011

Vamos colher flores



Vamos colher flores
Os lírios nos campos
Das flores nos vales
Comemorar ardores

Vamos comer frutos
Das suculentas maças
As deliciosas uvas
Bebemorar amores

Vamos beber juntos
Nas salivas do amor
As seivas da alvorada

Vamos comer amores
Nos carnosos lábios
Os deleitáveis sabores

Neide Mendes

quarta-feira, maio 11, 2011

Ah... Se eu pudesse...



Se eu pudesse eu seria tudo o que te acalma
Seria a rocha impossível de se mexer
Mesmo com a chuva forte.
Seria o desvio das águas amedrontadoras
Que tanto te deixa preocupado.
Seria as asas que aquecem e te protegem,
Seria o conforto da oração,
Seria o acontecimento...
A gargalhada,
O choro de alegria,
A roupa limpinha,
As ondas do mar que batem nas pedras,
A corda bamba onde o menino trapezista brinca.
Seria o lápis,
O papel colorido,
O compasso,
As mãos do arquiteto que faz maravilhas com seus riscos.
Se eu pudesse... Eu seria a solução,
O descanso e o fim de toda a sua preocupação.
Amo este seu jeito de ser.

Ana da Cruz.


sábado, abril 30, 2011

domingo, abril 24, 2011

Delicatesse.

Delicatesse.

Dona de nenhum perigo construo 
abismos,
navego olhares, mordo palavras, engulo sonhos.
Eu provo da 
loucura folhas de outonos dourados
e mastigo sentenças não 
aprovadas.

Violento sorrisos sem medo de culpas,
se você não gosta não 
chegue perto, eu ardo.
Minha boca tem o antídoto para vontades,
a fina 
poeira de ventanias em olhos irritados.

Na pele uma fogueira enfeita de 
laço corpos,
e peco, peco tanto que já virei perdão
na dança única dos 
delírios
de prender entre as pernas o coração de quem amo.

Fica quem 
vence a fera, alcança a fêmea,
parte quem não chega, aquele que eu não 
espero.
Eu bebo do gozo o prazer de estar parte
do que me faz inteira no 
alheio respirar ofegante.

Escolho o que não sei, observo jogos,
se 
jogo não desperdiço cartas - lanço-me nua.
Mando andar quem não é 
encaixe,
costura exata ao meu querer doce, inocente e feroz.

Eu sou a 
oração do meu verso,
carne da minha letra, sexo da minha voz.
Rouca 
postura no caminho dos destemidos,
enraizados filhos do sol, filtros que 
fabrico.

E de tantas passagens que são passado
eu sou o agora todo o 
tempo e o ontem presente.
No ventre a evolução das estações raceiam,
na 
alma guerreia a menina e a sábia -- mundo.

Dona de mim e do espelho sou 
índia,
sou filha, sou mãe, sou pátria.
Se engasgo o seu passo fique 
longe,
sou indecifrável esfinge aos tolos: sou mulher!

Eliane Alcântara.

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terça-feira, abril 12, 2011

Não são eternas as conquistas.



Não são eternas as conquistas.



Falta em meus lábios o beijo primeiro,

aquele que eu apenas sonhei.

O doce gosto do amor eterno

que já nem sei se o alcancei ou alcançarei.


De andar em olhares perdidos

penso que me perdi nos carinhos efêmeros,

nas loucuras das promessas deslizantes

que nunca ousaram ser raízes.


Dopada de mim, de esperas tamanhas,

resta no caldo das horas segundos tristonhos,

e a que momentaneamente agora sonha

explode em alegria a verdadeira ilusão.


Há em meu peito o contraste das coisas,

a estrada dos loucos, dos observadores os passos.

É que sou persistente fogueira,

ardo onde não imaginam.


Falta-me algo, estar completa seria o fim.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, março 30, 2011

...


(Foto: Google).

...


Enxergo-te nessas canções de saudade onde tudo que gira borboleteia as asas do meu único sonho: ter-te (sempre).

E as coisas que eu não sei brincam de roda diante dos meus olhos a propagar-te amor silente e vivo em tudo o que em mim cabe.

Espaço de mil outras canções meu peito consagra-te dono e rei das minhas fantasias, reais dimensões dos meus passos em teu corpo, sol dos meus desejos.

E essa que sou em planos, efeitos e tudo o mais reflete mar, céu e terra. Vida da vida que nasce, tua.


Eliane Alcântara.

domingo, março 27, 2011

Eternidade...

(Foto: 



Eternidade é o que criamos.


Entre as bijouterias soltas em meu silêncio admiro as pedras de vidro e multicolores.
Gosto do brilho das coisas comuns.
São elas que adquirem valores inigualáveis, pois passam da simplicidade a preciosidades.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, março 14, 2011

Anunciação - Eurico de Carvalho.

Latest tracks by Eurico de Carvalho

Anunciação por Eurico de Carvalho.


Nem sei como dizer-te a alegria com que espero
a palavra mais lúcida, secreta e semovente.
Dela, sabe-lo, se alimenta em pleno espaço
a incerta rotação dos amantes e a certeza
de ser seu o repouso. Seja ela a rosa de cristal
que amanhece em tua boca adolescente. E, crê,
por entre o orvalho - hálito da manhã -,
nunca será  nosso o esquecimento do Sol.

Poema publicado em Dezembro de 2002
no jornal "O Tecto" de Vila do Conde
(Ano XIV: N º 39).
Cf. página 2.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Seja autêntico (a).



(Imagem: Google).


Seja autêntico (a).


Não pedi para ser quem sou,

não pedi para ser suficiente,

pouca importa os que não gostam,

antes sou eu com minhas alegrias.


Os que invejam-me não lutam,

olham abatidos o que sonham

na carne e espírito que a mim cabe.


Deles não rio nem nada digo,

não vale a pena olhar a insignificância.

Dou a volta por cima sem remorsos.


Estrelas brilham a céu aberto,

uns admiram-nas, outros remoem sua magnitude.

Eu as colho e as guardo no coração,

aprenda a diferença e seja feliz.


Há espaço no mundo também para você.

Divirta-se – longe de mim!


Eliane Alcântara.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Isto é... amor!



Isto é... amor!



Tortura-me pensar em ti.

Tortura maior é pensar em esquecer-te.

Corrobora o ar estas coisas todas

que nem fizemos e são verídicas.



De mim sei os encantos guardados,

as seduções a que condenaste-me

sem chance de hábeas-córpus

ou livre viagem pelas esculturas carnais do tempo.



Prisioneira - sempre por gosto - das tuas manias

pareço louca em meu estado lúdico,

e tu nem sabes se o sou

ou encaderno-me da tua face para sorrir.



Ando de bar em lar,

aqui, acolá, talvez mais ali.

Em algum lugar tu ocultaste tuas verdades

e revelas-me adeus ou um dia apenas com cores.



São migalhas, eu sei, aceito-as.

Amar tem da alegria o peso da dor,

da realização a eternidade dos olhos.

Tortura-me a ausência, mas que culpa tenho

se em ti minha alma floresce?



Esquecer-te nem pensar,

encontrar-te já se fez há tanto.

Se tu não vais voltar eu lamento,

os dias não maldigo, tudo tem uma razão,

e eu, eu tenho as sementes de quem tu foste.



“Is this love”.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Sem saída.

(Imagem: Google).


Sem saída.


São momentos perdidos os que me cabem

na travessia contínua em que inflamo-me.

E dos rostos que admiro sobressai o que não vi,

insistente imagem a morder-me pensamentos.


Calo o rio de alegrias, é impossível mantê-lo,

diáfana crença em tudo que foi azul, límpida esperança.

Fresta de imaginação perfura a alma,

outro retalho de impossibilidades – lembranças.


Sobre meu peito desfia-se o colar das horas

e não tenho sequer o segundo parido no passado.

Segundo sentido, desbotado e sufocado

pelas coisas sem importância onde algo puro foi maior.


Um tom de noite fatigada anuncia o vazio,

recrio-me as tantas e a autêntica não sei escolher.

Estou perdida, amor. Perdida com meus fantasmas e dores

no pântano do nada em que cri o sonho realidade.


Casa-me bem a morte dos sentimentos.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Comienzo Y Final de Una Verde Mañana


Comienzo Y Final de Una Verde Mañana

Composição: Pablo Milanés



Déjame despertarte con un beso

En la verde mañana que te espera

Déjame celebrar la primavera

En el hermoso largo de tu cuerpo.



Déjame recorrer ese universo

Que conozco sin limites y fronteras

Déjame descansar sobre tu pecho

Que calienta mi piel como una hoguera.



Déjame repasar tus accidentes

Detenerme a palpar cada medida

Humedecer tus ojos y tus fuentes

Y penetrar al fondo de tu vida.



Déjame demostrar que diez noviembres

Purifican el alma y el deseo

Que al abrazarte aún mi cuerpo tiemble

Y relajado en paz me duerma luego.



Déjame al despertar tener la dicha

De hablar y compartir nuestros anhelos

Y en la mañana verde que termina

Volver a repetir que te quiero.

domingo, dezembro 26, 2010

Em profundidade.

(Quadro abstrato de Fernando Antônio - Imensidão azul
São Paulo - SP).

***

Em profundidade.


Embalam meus olhos o amor que nunca tive

e lágrimas que poucos enxergam embarcam

na direção de algo que talvez amor,

eu venha a alcançar.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Por agora...

(Imagem Google).

Por agora...


Preciso imediatamente de um silêncio louco,

de muito e pouco do seu jeito,

boca gulosa, febre contínua...


[Em seu peito minhas loucuras, céu aberto],


Seus dedos ligeiros segredos,

gigantes mansos e delicados a fechar-me

nos sonhos eróticos/ternos de nós dois...


[Meu fogo de Eva em suas pernas, mares unidos],


Gemido profundo, do fundo,

instante em que me faz sorrir e eterniza

o cuidado com o que há de líquido em nós...


[Vadia anoiteço em seus olhos, estrelas de sempre],


E cada suspiro noturno, comboio de emoções,

eu bebo e saúdo a necessidade de consumi-lo paraíso,

medida bem-vinda ao meu desejo...


[Tara, paixão, tesão...]


Eliane Alcântara.

terça-feira, setembro 07, 2010

Deixa.


Poema ilustrado por Maria Bonfá.


Deixa.



Deixa eu morrer de te amar

e não desperte o dia de ser comum.

Deixa eu ficar esquecida em teu corpo

e beber de tudo o que me der teu cheiro e gozo.

Muito louca deixa eu lamber tua alma

e respirar teus desejos sacanas.

Deixa eu me sentir viva em tua carne,

o tempo sabe bem o que fazer com a paixão.

E se for pouco deixa a exaustão sorrir

tudo o que há de despudor em minha boca,

minha felicidade começa com o teu prazer.

Molha meus dias...



Eliane Alcântara.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Amor presente.


Imagem: Google.



Amor presente.


Tenho saudades dos seus lábios suaves,

dos sorrisos soltos pelo quarto,

das loucuras exatas às nossas vontades.


Do seu jeito de lançar-me à cama

anseio seu olhar devorador,

cheio de ganas e surpresas.


Volto ao tempo de antes e suspiro

pássaros livres nos dedos

a desenhar Poesia de dois.


Sensual em pensamentos sentidos

sinto sua pele transformar-me o corpo e,

nada mais reluz do que a própria vida.


Abre-me sua, desvenda-me lance de estrelas

e na candura de um amor sublime, carnal,

reafirmo que sou sua, antes e sempre,


pois dos sonhos colhi o melhor de nós

e reacendo braços candelabros ao divino

toda vez que o penso (mais que realidade).


Eliane Alcântara.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Festim.

Imagem: Google.


Festim.


Dobro todos os sorrisos que tenho
e guardo-os no ápice do precioso instante,
aquele no qual revelo-me nua tempestade
e tua boca à espera engole-me sem temor do caos.


Eliane Alcântara.

sábado, novembro 07, 2009

segunda-feira, novembro 02, 2009

Não queiras...


(Foto de Fernando Rozano com sobreposição
de uma imagem minha).

Não queiras a morada dos meus olhos
Esta não é doce nem oásis
Antes é inferno e purgatório
A desvendar a fome de prazer.

Já o piso das minhas pupilas
É saia que o vento levanta
A buscar metade do paraíso
Averbada a tua carne.

Eliane Alcântara.

quinta-feira, abril 16, 2009

Morada.


Morada.
Faço parte de um luar em teus olhos.
No constante véu em que sorris estrelas
bailo de uma ponta a outra - fada ou rei.
E se entristeces firmamento e astros
eu padeço inocência em desalinho
e morro abismo outra vez
a espera que reconstruas
esta parte que sendo tudo é nada,
pirilampo em noite fria.
Eliane Alcântara.