quarta-feira, março 30, 2011

...


(Foto: Google).

...


Enxergo-te nessas canções de saudade onde tudo que gira borboleteia as asas do meu único sonho: ter-te (sempre).

E as coisas que eu não sei brincam de roda diante dos meus olhos a propagar-te amor silente e vivo em tudo o que em mim cabe.

Espaço de mil outras canções meu peito consagra-te dono e rei das minhas fantasias, reais dimensões dos meus passos em teu corpo, sol dos meus desejos.

E essa que sou em planos, efeitos e tudo o mais reflete mar, céu e terra. Vida da vida que nasce, tua.


Eliane Alcântara.

domingo, março 27, 2011

Eternidade...

(Foto: 



Eternidade é o que criamos.


Entre as bijouterias soltas em meu silêncio admiro as pedras de vidro e multicolores.
Gosto do brilho das coisas comuns.
São elas que adquirem valores inigualáveis, pois passam da simplicidade a preciosidades.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, março 14, 2011

Anunciação - Eurico de Carvalho.

Latest tracks by Eurico de Carvalho

Anunciação por Eurico de Carvalho.


Nem sei como dizer-te a alegria com que espero
a palavra mais lúcida, secreta e semovente.
Dela, sabe-lo, se alimenta em pleno espaço
a incerta rotação dos amantes e a certeza
de ser seu o repouso. Seja ela a rosa de cristal
que amanhece em tua boca adolescente. E, crê,
por entre o orvalho - hálito da manhã -,
nunca será  nosso o esquecimento do Sol.

Poema publicado em Dezembro de 2002
no jornal "O Tecto" de Vila do Conde
(Ano XIV: N º 39).
Cf. página 2.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Seja autêntico (a).



(Imagem: Google).


Seja autêntico (a).


Não pedi para ser quem sou,

não pedi para ser suficiente,

pouca importa os que não gostam,

antes sou eu com minhas alegrias.


Os que invejam-me não lutam,

olham abatidos o que sonham

na carne e espírito que a mim cabe.


Deles não rio nem nada digo,

não vale a pena olhar a insignificância.

Dou a volta por cima sem remorsos.


Estrelas brilham a céu aberto,

uns admiram-nas, outros remoem sua magnitude.

Eu as colho e as guardo no coração,

aprenda a diferença e seja feliz.


Há espaço no mundo também para você.

Divirta-se – longe de mim!


Eliane Alcântara.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Isto é... amor!



Isto é... amor!



Tortura-me pensar em ti.

Tortura maior é pensar em esquecer-te.

Corrobora o ar estas coisas todas

que nem fizemos e são verídicas.



De mim sei os encantos guardados,

as seduções a que condenaste-me

sem chance de hábeas-córpus

ou livre viagem pelas esculturas carnais do tempo.



Prisioneira - sempre por gosto - das tuas manias

pareço louca em meu estado lúdico,

e tu nem sabes se o sou

ou encaderno-me da tua face para sorrir.



Ando de bar em lar,

aqui, acolá, talvez mais ali.

Em algum lugar tu ocultaste tuas verdades

e revelas-me adeus ou um dia apenas com cores.



São migalhas, eu sei, aceito-as.

Amar tem da alegria o peso da dor,

da realização a eternidade dos olhos.

Tortura-me a ausência, mas que culpa tenho

se em ti minha alma floresce?



Esquecer-te nem pensar,

encontrar-te já se fez há tanto.

Se tu não vais voltar eu lamento,

os dias não maldigo, tudo tem uma razão,

e eu, eu tenho as sementes de quem tu foste.



“Is this love”.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Sem saída.

(Imagem: Google).


Sem saída.


São momentos perdidos os que me cabem

na travessia contínua em que inflamo-me.

E dos rostos que admiro sobressai o que não vi,

insistente imagem a morder-me pensamentos.


Calo o rio de alegrias, é impossível mantê-lo,

diáfana crença em tudo que foi azul, límpida esperança.

Fresta de imaginação perfura a alma,

outro retalho de impossibilidades – lembranças.


Sobre meu peito desfia-se o colar das horas

e não tenho sequer o segundo parido no passado.

Segundo sentido, desbotado e sufocado

pelas coisas sem importância onde algo puro foi maior.


Um tom de noite fatigada anuncia o vazio,

recrio-me as tantas e a autêntica não sei escolher.

Estou perdida, amor. Perdida com meus fantasmas e dores

no pântano do nada em que cri o sonho realidade.


Casa-me bem a morte dos sentimentos.


Eliane Alcântara.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Comienzo Y Final de Una Verde Mañana


Comienzo Y Final de Una Verde Mañana

Composição: Pablo Milanés



Déjame despertarte con un beso

En la verde mañana que te espera

Déjame celebrar la primavera

En el hermoso largo de tu cuerpo.



Déjame recorrer ese universo

Que conozco sin limites y fronteras

Déjame descansar sobre tu pecho

Que calienta mi piel como una hoguera.



Déjame repasar tus accidentes

Detenerme a palpar cada medida

Humedecer tus ojos y tus fuentes

Y penetrar al fondo de tu vida.



Déjame demostrar que diez noviembres

Purifican el alma y el deseo

Que al abrazarte aún mi cuerpo tiemble

Y relajado en paz me duerma luego.



Déjame al despertar tener la dicha

De hablar y compartir nuestros anhelos

Y en la mañana verde que termina

Volver a repetir que te quiero.

domingo, dezembro 26, 2010

Em profundidade.

(Quadro abstrato de Fernando Antônio - Imensidão azul
São Paulo - SP).

***

Em profundidade.


Embalam meus olhos o amor que nunca tive

e lágrimas que poucos enxergam embarcam

na direção de algo que talvez amor,

eu venha a alcançar.



Eliane Alcântara.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Por agora...

(Imagem Google).

Por agora...


Preciso imediatamente de um silêncio louco,

de muito e pouco do seu jeito,

boca gulosa, febre contínua...


[Em seu peito minhas loucuras, céu aberto],


Seus dedos ligeiros segredos,

gigantes mansos e delicados a fechar-me

nos sonhos eróticos/ternos de nós dois...


[Meu fogo de Eva em suas pernas, mares unidos],


Gemido profundo, do fundo,

instante em que me faz sorrir e eterniza

o cuidado com o que há de líquido em nós...


[Vadia anoiteço em seus olhos, estrelas de sempre],


E cada suspiro noturno, comboio de emoções,

eu bebo e saúdo a necessidade de consumi-lo paraíso,

medida bem-vinda ao meu desejo...


[Tara, paixão, tesão...]


Eliane Alcântara.

terça-feira, setembro 07, 2010

Deixa.


Poema ilustrado por Maria Bonfá.


Deixa.



Deixa eu morrer de te amar

e não desperte o dia de ser comum.

Deixa eu ficar esquecida em teu corpo

e beber de tudo o que me der teu cheiro e gozo.

Muito louca deixa eu lamber tua alma

e respirar teus desejos sacanas.

Deixa eu me sentir viva em tua carne,

o tempo sabe bem o que fazer com a paixão.

E se for pouco deixa a exaustão sorrir

tudo o que há de despudor em minha boca,

minha felicidade começa com o teu prazer.

Molha meus dias...



Eliane Alcântara.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Amor presente.


Imagem: Google.



Amor presente.


Tenho saudades dos seus lábios suaves,

dos sorrisos soltos pelo quarto,

das loucuras exatas às nossas vontades.


Do seu jeito de lançar-me à cama

anseio seu olhar devorador,

cheio de ganas e surpresas.


Volto ao tempo de antes e suspiro

pássaros livres nos dedos

a desenhar Poesia de dois.


Sensual em pensamentos sentidos

sinto sua pele transformar-me o corpo e,

nada mais reluz do que a própria vida.


Abre-me sua, desvenda-me lance de estrelas

e na candura de um amor sublime, carnal,

reafirmo que sou sua, antes e sempre,


pois dos sonhos colhi o melhor de nós

e reacendo braços candelabros ao divino

toda vez que o penso (mais que realidade).


Eliane Alcântara.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Festim.

Imagem: Google.


Festim.


Dobro todos os sorrisos que tenho
e guardo-os no ápice do precioso instante,
aquele no qual revelo-me nua tempestade
e tua boca à espera engole-me sem temor do caos.


Eliane Alcântara.

sábado, novembro 07, 2009

segunda-feira, novembro 02, 2009

Não queiras...


(Foto de Fernando Rozano com sobreposição
de uma imagem minha).

Não queiras a morada dos meus olhos
Esta não é doce nem oásis
Antes é inferno e purgatório
A desvendar a fome de prazer.

Já o piso das minhas pupilas
É saia que o vento levanta
A buscar metade do paraíso
Averbada a tua carne.

Eliane Alcântara.

quinta-feira, abril 16, 2009

Morada.


Morada.
Faço parte de um luar em teus olhos.
No constante véu em que sorris estrelas
bailo de uma ponta a outra - fada ou rei.
E se entristeces firmamento e astros
eu padeço inocência em desalinho
e morro abismo outra vez
a espera que reconstruas
esta parte que sendo tudo é nada,
pirilampo em noite fria.
Eliane Alcântara.

sábado, fevereiro 14, 2009

Transbordamento.



Transbordamento.

Venho morrendo a cada dia,
nascendo a cada intervalo,
bebendo do ópio saudade,
ressuscitando melancolia,
sobrevivendo paixões vazias,
é que falta um pedaço de sorriso
alheio e sincero
para ser mais que Poeta.

Eliane Alcântara.

domingo, fevereiro 01, 2009

Crítica Literária.




Um talento nato registrando sua assinatura poética


Na formação do seu refinamento lingüístico, antevê-se o perfil dos prodigiosos escritores que, desce cedo, são ávidos leitores. Não se pode negar às suas inúmeras leituras, o mérito do aprimoramento da Língua como ferramenta de trabalho, que foram passos sólidos para Eliane Alcântara despontar para as letras.

Quer como contista, quer como poeta erótica, colunista ou declamadora, a autora destaca-se por um estilo inédito e, ao mesmo tempo, refinado, encontrando seu nicho nas artes literárias, onde, com toda certeza, com a catarse que a arte de escrever lhe provoca, vive em condições muito especiais, onde a maioria das pessoas não atinge.

Esse seu, pode-se assim dizer, derramamento desenfreado de sentimentos mexe com os afortunados que têm a oportunidade de lê-la. Como se sua catarse poético-terapêutica tivesse como finalidade o reconhecimento, a aceitação da beleza do encontro e da partilha de dois indivíduos que se mesclam, em momentos íntimos de ternura e prazer. É preciso generosidade até para estar com o outro, de onde vem o retorno que completa e faz feliz; segredo do sucesso de uma relação prazerosa, que causa leveza, deixando a séculos de distância a conotação de pecado.

Sua mimese, isto é, imitação da realidade em letras, sua realização como mulher, base do desenvolvimento do trabalho, apresenta as facetas do espelho, do encontro com o outro, do avesso; todas encantadoras e surpreendentes.

Seu erotismo é classificado como o fino fio que tece a humanidade. Afinal, encontros sensuais marcaram nosso nascer para o mundo. No seu contexto, são descartados os encontros infelizes, as perversões da mistura íntima de seres que se machucam, que não se completam mas mesclam-se no ato sexual. O ser humano precisa se dar conta que o peso leve da sensualidade permeia seus caminhos, de uma forma sadia e feliz, permitindo aprender de si no outro, deixando um pouco de leveza ao indivíduo que carrega pesos do mundo, quando encontra seu referente, outro indivíduo que se encaixa nele tão bem como se sempre assim já tivesse sido.

É preciso tirar as viseiras que as muitas concepções errôneas causaram ao homem. O erotismo é parte integrante do ser humano. São tantas as partes do ser humano... E todas são humanas, são verdades, são belas. Obra alguma de Deus não se pode desqualificar. É acreditando que, acima da arte, está a sua contribuição para seres humanos mais felizes, que a poeta transforma-se em poesia. Generosa, quer compartilhar com o mundo sua descoberta. Verdade é que muitos já tentaram faze-lo, mas longe da sua fluência verbal e da delicadeza das palavras para dissecar o sagrado da intimidade.

“Escrever é como o ato de ler. Temos que voar. Libertar as asas e descobrir que o céu não oferece limites”, disse esta poeta uma vez. É a necessidade do encontro e erotismo latente em cada pessoa que parece dizer “Engula o seu jeito atrevido que eu esperei muito para comer sua boca e não serão palavras que impedirão que eu rasgue os seus segredos”. Muitas vezes, todos experimentam momentos em que sentem-se sós, ainda que acompanhados. Há uma superação poética na literatura de Eros Feminino, como se causasse ao leitor um êxtase existencial. É sua missão escrever, desbravando induções, revelando beleza onde muitos só vêem pecado. E, assim, afastam-se do reconhecimento mais íntimo de si no encontro com o outro.

Descubram também vocês o secreto de cada um de nós no Encontro Íntimo que nos proporciona seu Eros Feminino. Aguardem para o segundo semestre de 2009 esse lançamento imperdível.

CRUZ, Ana da. Um talento nato registrando sua assinatura poética (Crítica Literária). Mural dos Escritores.
URL do texto: 31/01/2008.

Eliane Alcântara.

sábado, janeiro 24, 2009

Brincadeira.


Brincadeira.

Quando usa meus gemidos para seus ritmos
qualquer coisa celebra em meu corpo
devastação de velhos tabus e me abro fêmea
pronta a acolher todo o prazer imaginável.
Esqueço quem sou ou acho a que sou
cada vez mais sua em delírios.
Descontrolo-me em sua pele, deslizo
e esquenta a tarde, outono primavera,
pouco importa... Revisto-me de luares.
Bocas e línguas, sabores e desvios
nos decoramos permissiva ação lúdica.
Seu fazer em mim acende o orgasmo,
provoca o inevitável e o esperado,
outros tantos gemidos harmônicos.
Saciados temporariamente desfrutamos
nada mais que o descanso dos deuses
e juntos gememos baixinho,
o recomeço não tão longe.
Seu cheiro faz parte dos meus desejos.

Eliane Alcântara.

domingo, novembro 23, 2008

Todo dia há caça.


Todo dia há caça.

Avanço o retrocesso cama,
faminta figura nua em pêlo,
dentes cravados no pescoço, gesto,
movimento certo, interposto.

Sem demoras ou pressas
presa fareja-me completa.
Devora armadilhas, aprende,
apreende e viro caça.

Certeira promessa esperneio,
geme comigo
caçador e caça que somos
no dilúvio prazeroso do sim.

Adormecemos.
Há sinal de bom tempo.
Recomeçamos.
Somos vício dos nossos lazeres.

Eliane Alcântara.

sábado, novembro 22, 2008

Toques.


Toques.

No cetim de minha pele
o desejo de ser acariciada
feito pluma pede seu amasso.


Eliane Alcântara.