quarta-feira, outubro 20, 2010

Por agora...

(Imagem Google).

Por agora...


Preciso imediatamente de um silêncio louco,

de muito e pouco do seu jeito,

boca gulosa, febre contínua...


[Em seu peito minhas loucuras, céu aberto],


Seus dedos ligeiros segredos,

gigantes mansos e delicados a fechar-me

nos sonhos eróticos/ternos de nós dois...


[Meu fogo de Eva em suas pernas, mares unidos],


Gemido profundo, do fundo,

instante em que me faz sorrir e eterniza

o cuidado com o que há de líquido em nós...


[Vadia anoiteço em seus olhos, estrelas de sempre],


E cada suspiro noturno, comboio de emoções,

eu bebo e saúdo a necessidade de consumi-lo paraíso,

medida bem-vinda ao meu desejo...


[Tara, paixão, tesão...]


Eliane Alcântara.

terça-feira, setembro 07, 2010

Deixa.


Poema ilustrado por Maria Bonfá.


Deixa.



Deixa eu morrer de te amar

e não desperte o dia de ser comum.

Deixa eu ficar esquecida em teu corpo

e beber de tudo o que me der teu cheiro e gozo.

Muito louca deixa eu lamber tua alma

e respirar teus desejos sacanas.

Deixa eu me sentir viva em tua carne,

o tempo sabe bem o que fazer com a paixão.

E se for pouco deixa a exaustão sorrir

tudo o que há de despudor em minha boca,

minha felicidade começa com o teu prazer.

Molha meus dias...



Eliane Alcântara.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Amor presente.


Imagem: Google.



Amor presente.


Tenho saudades dos seus lábios suaves,

dos sorrisos soltos pelo quarto,

das loucuras exatas às nossas vontades.


Do seu jeito de lançar-me à cama

anseio seu olhar devorador,

cheio de ganas e surpresas.


Volto ao tempo de antes e suspiro

pássaros livres nos dedos

a desenhar Poesia de dois.


Sensual em pensamentos sentidos

sinto sua pele transformar-me o corpo e,

nada mais reluz do que a própria vida.


Abre-me sua, desvenda-me lance de estrelas

e na candura de um amor sublime, carnal,

reafirmo que sou sua, antes e sempre,


pois dos sonhos colhi o melhor de nós

e reacendo braços candelabros ao divino

toda vez que o penso (mais que realidade).


Eliane Alcântara.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Festim.

Imagem: Google.


Festim.


Dobro todos os sorrisos que tenho
e guardo-os no ápice do precioso instante,
aquele no qual revelo-me nua tempestade
e tua boca à espera engole-me sem temor do caos.


Eliane Alcântara.

sábado, novembro 07, 2009

segunda-feira, novembro 02, 2009

Não queiras...


(Foto de Fernando Rozano com sobreposição
de uma imagem minha).

Não queiras a morada dos meus olhos
Esta não é doce nem oásis
Antes é inferno e purgatório
A desvendar a fome de prazer.

Já o piso das minhas pupilas
É saia que o vento levanta
A buscar metade do paraíso
Averbada a tua carne.

Eliane Alcântara.

quinta-feira, abril 16, 2009

Morada.


Morada.
Faço parte de um luar em teus olhos.
No constante véu em que sorris estrelas
bailo de uma ponta a outra - fada ou rei.
E se entristeces firmamento e astros
eu padeço inocência em desalinho
e morro abismo outra vez
a espera que reconstruas
esta parte que sendo tudo é nada,
pirilampo em noite fria.
Eliane Alcântara.

sábado, fevereiro 14, 2009

Transbordamento.



Transbordamento.

Venho morrendo a cada dia,
nascendo a cada intervalo,
bebendo do ópio saudade,
ressuscitando melancolia,
sobrevivendo paixões vazias,
é que falta um pedaço de sorriso
alheio e sincero
para ser mais que Poeta.

Eliane Alcântara.

domingo, fevereiro 01, 2009

Crítica Literária.




Um talento nato registrando sua assinatura poética


Na formação do seu refinamento lingüístico, antevê-se o perfil dos prodigiosos escritores que, desce cedo, são ávidos leitores. Não se pode negar às suas inúmeras leituras, o mérito do aprimoramento da Língua como ferramenta de trabalho, que foram passos sólidos para Eliane Alcântara despontar para as letras.

Quer como contista, quer como poeta erótica, colunista ou declamadora, a autora destaca-se por um estilo inédito e, ao mesmo tempo, refinado, encontrando seu nicho nas artes literárias, onde, com toda certeza, com a catarse que a arte de escrever lhe provoca, vive em condições muito especiais, onde a maioria das pessoas não atinge.

Esse seu, pode-se assim dizer, derramamento desenfreado de sentimentos mexe com os afortunados que têm a oportunidade de lê-la. Como se sua catarse poético-terapêutica tivesse como finalidade o reconhecimento, a aceitação da beleza do encontro e da partilha de dois indivíduos que se mesclam, em momentos íntimos de ternura e prazer. É preciso generosidade até para estar com o outro, de onde vem o retorno que completa e faz feliz; segredo do sucesso de uma relação prazerosa, que causa leveza, deixando a séculos de distância a conotação de pecado.

Sua mimese, isto é, imitação da realidade em letras, sua realização como mulher, base do desenvolvimento do trabalho, apresenta as facetas do espelho, do encontro com o outro, do avesso; todas encantadoras e surpreendentes.

Seu erotismo é classificado como o fino fio que tece a humanidade. Afinal, encontros sensuais marcaram nosso nascer para o mundo. No seu contexto, são descartados os encontros infelizes, as perversões da mistura íntima de seres que se machucam, que não se completam mas mesclam-se no ato sexual. O ser humano precisa se dar conta que o peso leve da sensualidade permeia seus caminhos, de uma forma sadia e feliz, permitindo aprender de si no outro, deixando um pouco de leveza ao indivíduo que carrega pesos do mundo, quando encontra seu referente, outro indivíduo que se encaixa nele tão bem como se sempre assim já tivesse sido.

É preciso tirar as viseiras que as muitas concepções errôneas causaram ao homem. O erotismo é parte integrante do ser humano. São tantas as partes do ser humano... E todas são humanas, são verdades, são belas. Obra alguma de Deus não se pode desqualificar. É acreditando que, acima da arte, está a sua contribuição para seres humanos mais felizes, que a poeta transforma-se em poesia. Generosa, quer compartilhar com o mundo sua descoberta. Verdade é que muitos já tentaram faze-lo, mas longe da sua fluência verbal e da delicadeza das palavras para dissecar o sagrado da intimidade.

“Escrever é como o ato de ler. Temos que voar. Libertar as asas e descobrir que o céu não oferece limites”, disse esta poeta uma vez. É a necessidade do encontro e erotismo latente em cada pessoa que parece dizer “Engula o seu jeito atrevido que eu esperei muito para comer sua boca e não serão palavras que impedirão que eu rasgue os seus segredos”. Muitas vezes, todos experimentam momentos em que sentem-se sós, ainda que acompanhados. Há uma superação poética na literatura de Eros Feminino, como se causasse ao leitor um êxtase existencial. É sua missão escrever, desbravando induções, revelando beleza onde muitos só vêem pecado. E, assim, afastam-se do reconhecimento mais íntimo de si no encontro com o outro.

Descubram também vocês o secreto de cada um de nós no Encontro Íntimo que nos proporciona seu Eros Feminino. Aguardem para o segundo semestre de 2009 esse lançamento imperdível.

CRUZ, Ana da. Um talento nato registrando sua assinatura poética (Crítica Literária). Mural dos Escritores.
URL do texto: 31/01/2008.

Eliane Alcântara.

sábado, janeiro 24, 2009

Brincadeira.


Brincadeira.

Quando usa meus gemidos para seus ritmos
qualquer coisa celebra em meu corpo
devastação de velhos tabus e me abro fêmea
pronta a acolher todo o prazer imaginável.
Esqueço quem sou ou acho a que sou
cada vez mais sua em delírios.
Descontrolo-me em sua pele, deslizo
e esquenta a tarde, outono primavera,
pouco importa... Revisto-me de luares.
Bocas e línguas, sabores e desvios
nos decoramos permissiva ação lúdica.
Seu fazer em mim acende o orgasmo,
provoca o inevitável e o esperado,
outros tantos gemidos harmônicos.
Saciados temporariamente desfrutamos
nada mais que o descanso dos deuses
e juntos gememos baixinho,
o recomeço não tão longe.
Seu cheiro faz parte dos meus desejos.

Eliane Alcântara.

domingo, novembro 23, 2008

Todo dia há caça.


Todo dia há caça.

Avanço o retrocesso cama,
faminta figura nua em pêlo,
dentes cravados no pescoço, gesto,
movimento certo, interposto.

Sem demoras ou pressas
presa fareja-me completa.
Devora armadilhas, aprende,
apreende e viro caça.

Certeira promessa esperneio,
geme comigo
caçador e caça que somos
no dilúvio prazeroso do sim.

Adormecemos.
Há sinal de bom tempo.
Recomeçamos.
Somos vício dos nossos lazeres.

Eliane Alcântara.

sábado, novembro 22, 2008

Toques.


Toques.

No cetim de minha pele
o desejo de ser acariciada
feito pluma pede seu amasso.


Eliane Alcântara.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Repleta.



Repleta.

De aprender
o valor do que tenho
perco o que não tenho
como se cega fosse
a tudo o que viria,
mas sou feliz
no que sou.

Eliane Alcântara.

terça-feira, setembro 02, 2008

Afirmação.



Meus sonhos vagam espalhados
é preciso ter doçura para recolhê-los.
Ninguém faz um mar somente com lágrimas
é preciso tempo bom.

Eliane Alcântara.

sábado, agosto 30, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

Confissão.

Em cada sonho que vi crescer
Nossos pensamentos alinhados
Pensei poder transformar
O impossível em realidade.
Nunca desacreditei da verdade,
Por desejá-lo ao meu lado.
E se ontem chorei
Quero agora sorrir.
Arrancadas foram falsas lembranças,
Nada ficou do distante passado.
Interessa-me seu beijo,
O que fez de mim com seu jeito,
Seu corpo quente respirando desejo
Em minhas mãos a entregar segredos.
E quando tarde pousar os olhos,
Serei gaivota mergulhando sem volta,
Saciada pelo vôo que em vida
Cruzou no presente o horizonte do verbo amar.

Eliane Alcântara

terça-feira, agosto 19, 2008

Eu morria de ti

Eu morria de ti
Mas tu eras o meu viver

Tu ias comigo
Tu cantavas em mim
Quando percorria as ruas
Sem nenhum destino
Tu ias comigo
Tu cantavas em mim

Tu convidavas os pardais apaixonados do meio das árvores
Para a manhã da janela
Quando a noite se embaciava
Quando a noite não se acabava
Tu convidavas os pardais apaixonados do meio das árvores
Para a manhã da janela

Tu davas as tuas mãos
Tu davas o teu carinho
Quando eu tinha fome
Tu davas a tua vida
Tu eras generoso como a luz
Tu vinhas ao nosso beco com as tuas luzes
Tu vinhas com as tuas luzes
Quando as crianças partiam
E as pétalas das acácias adormeciam
E eu ficava sozinha no espelho
Tu vinhas com as tuas luzes…
Tu colhias as pétalas
E cobrias as minhas madeixas
Quando as minhas madeixas tremiam de desejo
Tu colhias as pétalas

Tu encostavas o teu rosto
À inquietude do meu peito
Quando eu
Não tinha mais nada para dizer
Tu encostavas o teu rosto
À inquietude do meu peito
E escutavas
O meu sangue que corria
A minha paixão lacrimejante que morria

Tu ouvias-me
Mas não me vias


Forugh Farrokhzad