sábado, fevereiro 14, 2009

Transbordamento.



Transbordamento.

Venho morrendo a cada dia,
nascendo a cada intervalo,
bebendo do ópio saudade,
ressuscitando melancolia,
sobrevivendo paixões vazias,
é que falta um pedaço de sorriso
alheio e sincero
para ser mais que Poeta.

Eliane Alcântara.

domingo, fevereiro 01, 2009

Crítica Literária.




Um talento nato registrando sua assinatura poética


Na formação do seu refinamento lingüístico, antevê-se o perfil dos prodigiosos escritores que, desce cedo, são ávidos leitores. Não se pode negar às suas inúmeras leituras, o mérito do aprimoramento da Língua como ferramenta de trabalho, que foram passos sólidos para Eliane Alcântara despontar para as letras.

Quer como contista, quer como poeta erótica, colunista ou declamadora, a autora destaca-se por um estilo inédito e, ao mesmo tempo, refinado, encontrando seu nicho nas artes literárias, onde, com toda certeza, com a catarse que a arte de escrever lhe provoca, vive em condições muito especiais, onde a maioria das pessoas não atinge.

Esse seu, pode-se assim dizer, derramamento desenfreado de sentimentos mexe com os afortunados que têm a oportunidade de lê-la. Como se sua catarse poético-terapêutica tivesse como finalidade o reconhecimento, a aceitação da beleza do encontro e da partilha de dois indivíduos que se mesclam, em momentos íntimos de ternura e prazer. É preciso generosidade até para estar com o outro, de onde vem o retorno que completa e faz feliz; segredo do sucesso de uma relação prazerosa, que causa leveza, deixando a séculos de distância a conotação de pecado.

Sua mimese, isto é, imitação da realidade em letras, sua realização como mulher, base do desenvolvimento do trabalho, apresenta as facetas do espelho, do encontro com o outro, do avesso; todas encantadoras e surpreendentes.

Seu erotismo é classificado como o fino fio que tece a humanidade. Afinal, encontros sensuais marcaram nosso nascer para o mundo. No seu contexto, são descartados os encontros infelizes, as perversões da mistura íntima de seres que se machucam, que não se completam mas mesclam-se no ato sexual. O ser humano precisa se dar conta que o peso leve da sensualidade permeia seus caminhos, de uma forma sadia e feliz, permitindo aprender de si no outro, deixando um pouco de leveza ao indivíduo que carrega pesos do mundo, quando encontra seu referente, outro indivíduo que se encaixa nele tão bem como se sempre assim já tivesse sido.

É preciso tirar as viseiras que as muitas concepções errôneas causaram ao homem. O erotismo é parte integrante do ser humano. São tantas as partes do ser humano... E todas são humanas, são verdades, são belas. Obra alguma de Deus não se pode desqualificar. É acreditando que, acima da arte, está a sua contribuição para seres humanos mais felizes, que a poeta transforma-se em poesia. Generosa, quer compartilhar com o mundo sua descoberta. Verdade é que muitos já tentaram faze-lo, mas longe da sua fluência verbal e da delicadeza das palavras para dissecar o sagrado da intimidade.

“Escrever é como o ato de ler. Temos que voar. Libertar as asas e descobrir que o céu não oferece limites”, disse esta poeta uma vez. É a necessidade do encontro e erotismo latente em cada pessoa que parece dizer “Engula o seu jeito atrevido que eu esperei muito para comer sua boca e não serão palavras que impedirão que eu rasgue os seus segredos”. Muitas vezes, todos experimentam momentos em que sentem-se sós, ainda que acompanhados. Há uma superação poética na literatura de Eros Feminino, como se causasse ao leitor um êxtase existencial. É sua missão escrever, desbravando induções, revelando beleza onde muitos só vêem pecado. E, assim, afastam-se do reconhecimento mais íntimo de si no encontro com o outro.

Descubram também vocês o secreto de cada um de nós no Encontro Íntimo que nos proporciona seu Eros Feminino. Aguardem para o segundo semestre de 2009 esse lançamento imperdível.

CRUZ, Ana da. Um talento nato registrando sua assinatura poética (Crítica Literária). Mural dos Escritores.
URL do texto: 31/01/2008.

Eliane Alcântara.

sábado, janeiro 24, 2009

Brincadeira.


Brincadeira.

Quando usa meus gemidos para seus ritmos
qualquer coisa celebra em meu corpo
devastação de velhos tabus e me abro fêmea
pronta a acolher todo o prazer imaginável.
Esqueço quem sou ou acho a que sou
cada vez mais sua em delírios.
Descontrolo-me em sua pele, deslizo
e esquenta a tarde, outono primavera,
pouco importa... Revisto-me de luares.
Bocas e línguas, sabores e desvios
nos decoramos permissiva ação lúdica.
Seu fazer em mim acende o orgasmo,
provoca o inevitável e o esperado,
outros tantos gemidos harmônicos.
Saciados temporariamente desfrutamos
nada mais que o descanso dos deuses
e juntos gememos baixinho,
o recomeço não tão longe.
Seu cheiro faz parte dos meus desejos.

Eliane Alcântara.

domingo, novembro 23, 2008

Todo dia há caça.


Todo dia há caça.

Avanço o retrocesso cama,
faminta figura nua em pêlo,
dentes cravados no pescoço, gesto,
movimento certo, interposto.

Sem demoras ou pressas
presa fareja-me completa.
Devora armadilhas, aprende,
apreende e viro caça.

Certeira promessa esperneio,
geme comigo
caçador e caça que somos
no dilúvio prazeroso do sim.

Adormecemos.
Há sinal de bom tempo.
Recomeçamos.
Somos vício dos nossos lazeres.

Eliane Alcântara.

sábado, novembro 22, 2008

Toques.


Toques.

No cetim de minha pele
o desejo de ser acariciada
feito pluma pede seu amasso.


Eliane Alcântara.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Repleta.



Repleta.

De aprender
o valor do que tenho
perco o que não tenho
como se cega fosse
a tudo o que viria,
mas sou feliz
no que sou.

Eliane Alcântara.

terça-feira, setembro 02, 2008

Afirmação.



Meus sonhos vagam espalhados
é preciso ter doçura para recolhê-los.
Ninguém faz um mar somente com lágrimas
é preciso tempo bom.

Eliane Alcântara.

sábado, agosto 30, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

Confissão.

Em cada sonho que vi crescer
Nossos pensamentos alinhados
Pensei poder transformar
O impossível em realidade.
Nunca desacreditei da verdade,
Por desejá-lo ao meu lado.
E se ontem chorei
Quero agora sorrir.
Arrancadas foram falsas lembranças,
Nada ficou do distante passado.
Interessa-me seu beijo,
O que fez de mim com seu jeito,
Seu corpo quente respirando desejo
Em minhas mãos a entregar segredos.
E quando tarde pousar os olhos,
Serei gaivota mergulhando sem volta,
Saciada pelo vôo que em vida
Cruzou no presente o horizonte do verbo amar.

Eliane Alcântara

terça-feira, agosto 19, 2008

Eu morria de ti

Eu morria de ti
Mas tu eras o meu viver

Tu ias comigo
Tu cantavas em mim
Quando percorria as ruas
Sem nenhum destino
Tu ias comigo
Tu cantavas em mim

Tu convidavas os pardais apaixonados do meio das árvores
Para a manhã da janela
Quando a noite se embaciava
Quando a noite não se acabava
Tu convidavas os pardais apaixonados do meio das árvores
Para a manhã da janela

Tu davas as tuas mãos
Tu davas o teu carinho
Quando eu tinha fome
Tu davas a tua vida
Tu eras generoso como a luz
Tu vinhas ao nosso beco com as tuas luzes
Tu vinhas com as tuas luzes
Quando as crianças partiam
E as pétalas das acácias adormeciam
E eu ficava sozinha no espelho
Tu vinhas com as tuas luzes…
Tu colhias as pétalas
E cobrias as minhas madeixas
Quando as minhas madeixas tremiam de desejo
Tu colhias as pétalas

Tu encostavas o teu rosto
À inquietude do meu peito
Quando eu
Não tinha mais nada para dizer
Tu encostavas o teu rosto
À inquietude do meu peito
E escutavas
O meu sangue que corria
A minha paixão lacrimejante que morria

Tu ouvias-me
Mas não me vias


Forugh Farrokhzad

domingo, março 18, 2007

Fim para o começo.



Entre palavras, a terra,
Rascunho do homem,
_ Obra original _
A trucidar a beleza
Em favor do lucro.


Eliane Alcântara.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

(Lajinha - MG)

Teu corpo é o meu templo.

Vem manso deitar meus olhos
Tapete aveludado de tua carne
E quando muito eu me morda
Rompa o gozo delírio
Casa em que caso nua
Excitada língua tua
A possuir-me a boca
Dos dentes, mucosa, lábios.
Vem feroz macho faceiro
Despetalar-me tua louca
E dentro sacia (me)
Volúpia incessante.
Ao alcançar já cativa
Abrigo em tuas veias,
Sacana e mais bondosa
Enfim hei de revelar-te
Onde é minha morada
Se eu estou fora de mim.

Eliane Alcântara.