terça-feira, novembro 29, 2011

Sou mais do que passiva manhã...

Poeminha antigo, mas hoje sinto-me
meio passado...



Sou mais do que passiva manhã.

Aceite a que eu ofereço,
é a que em mim mais o ama,
não tente alcançar a que não o quer,
a que exala volúpia e é passageira.
Das mulheres que habitam a que sou
evite a que os olhos não lhe dirigir
e nem tente a ela prender.
Meus vultos escorregam passos,
se você não os acompanha
não queira ficar e tudo modificar,
eu sou a sem lei, a parida ventania
nos dias de lamento das montanhas.
Acordo feras no soco ou no beijo
e exprimo meiguice na fala,
armadilha completa aos pés dos desavisados.
Não fique se a paixão for violenta
nem acomode se o amor for paciente, inove.
Mas se acaso descobrir os meus lados
e ainda assim for forte o bastante,
dome meus silêncios de raízes profundas
e toque sem medo o chão que piso.
Há dentro de mim o segredo para a vida,
vida presente para aquele que for sol e lua
nos carinhos sinceros ao escolhido.
Nada de mim é permanente,
eu sou a víbora de doce rastejar,
a criança desabrigada e carente,
a fêmea sem pudores, a santa de coisas válidas.
Não venha com falsas razões
ou engane minha confiança no que vejo,
eu perfuro caminhos por detrás da ânsia.
Nada valho e tudo é precioso
no que de mais puro digo e calo.
Cabe ao imperfeito sondar-me
descobrir meu avesso e habitar-me.
Aquele que vem fogo foge chuva,
aquele que vem utopia nem sequer permeia a Poesia.
Se o que quer é ser meu parceiro
aprenda o sigilo dos loucos
sem cair na masmorra do tédio,
vista camisa de força em minha pele
e trilhe o que existe por trás da coragem
do meu peito de florir espinho.
Eu tenho a oferecer o universo dos meus dias,
as trincheiras do âmago,
as muitas facetas dos meus delírios.
Não ouse chegar bombardeando minha carne
eu sou a própria guerra no amor
sem acenar bandeira de paz.
Aceite a que eu ofereço,
apenas não conforme em ter das tantas
furiosa besta enjaulada
ou mansa cadela em coleira.
Se o que quer é maior que a imposição,
desnuda minha boca, fira a minha fala
e eu rasgo essa que não o entende e elejo-o,
desbravador dos meus desertos,
único dono do meu coração e tesão.


Eliane Alcântara.

Um comentário:

Adriano César Curado disse...

Gostei do poema. É apimentado mas romântico, meio com tempero de nostalgia tardia.

Beijos